Seus desenhos anatômicos do século XVIII ajudaram a formar as bases da Ginecologia moderna.
Mas há um lado dessa história que quase nunca é contado.
Segundo uma investigação publicada no Journal of the Royal Society of Medicine, um dos periódicos médicos mais prestigiados do mundo, Hunter e Smellie teriam encomendado o assassinato de 35 a 40 mulheres grávidas entre 1750 e 1774.
E não eram mortes “ao acaso”.
Eles buscavam um perfil muito específico:- mulheres no nono mês de gestação, prestes a dar à luz.
Isso lhes permitiu criar atlas anatômicos detalhadíssimos,tão precisos que, segundo pesquisadores, lembram fotografias forenses modernas.
O próprio Hunter admitiu que “a chance de dissecar úteros grávidos é raríssima. A maioria dos anatomistas só consegue fazê-lo uma ou duas vezes na vida”.
Curiosamente, ele e Smellie conseguiram dissecar pelo menos 35.
O historiador Don Shelton compara:-
“Jack, o Estripador, e Burke e Hare cometeram 25 assassinatos. Hunter e Smellie, 37 — número que dobra se contarmos os bebês.”
Paradoxalmente, esses dois homens foram essenciais para o nascimento da Obstetrícia como profissão.
Seus atlas ajudaram a explicar a gestação, o parto e a circulação materno-fetal — descobertas que salvaram inúmeras vidas no futuro.
Mas o preço desse “avanço científico” pode ter sido terrivelmente alto.
A história da medicina é feita de luz, mas também de sombras.
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