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domingo, 4 de janeiro de 2026

MINHAS REGRAS PARA A ELEIÇÃO DE 2026.

Graças ao fracasso do bolsonarismo na eleição de 2022, ao fracasso do bolsonarismo no golpe de 2022/2023, ao fracasso do bolsonarista Luiz Fux no STF e ao fracasso do bolsonarismo na tentativa de mobilizar Donald Trump contra a democracia brasileira, o Brasil terá eleições livres para presidente no final deste ano.
Nessa primeira coluna de 2026, proponho regras para assegurar que o debate de ideias seja proveitoso na próxima campanha.
PRIMEIRO E MAIS IMPORTANTE:- O meme “bolsonarismo moderado” tem que morrer. A tentativa de moderar o bolsonarismo foi um fracasso abissal. Ninguém moderou Jair, mas Jair radicalizou todos os governadores oportunistas que lambiam sua baba no chão da avenida Paulista.
Os  bolsonaristas estavam trabalhando avidamente com os EUA para travar a economia e a democracia brasileiras até o mês passado.
Já anunciaram para este ano uma ofensiva na eleição para o Senado com objetivo explícito de matar o STF. Quer votar em fascista, meu amigo, vá em frente, não sou sua mãe: mas sem papo furado de moderação.
SEGUNDO:- Só pode falar em “polarização” quem mostrar medidas concretas tomadas pela esquerda desde 2018 que se comparem, em radicalismo, ao que a direita fez sob liderança de Bolsonaro.
Se você não souber de uma guerrilha maoísta secreta sendo treinada na casa da Gleisi, guarde o tema “polarização” para falar, por exemplo, das velhas disputas PT vs. PSDB (onde os dois lados, de fato, perderam completamente o senso de proporção).
TERCEIRO:- Só pode pedir autocontenção ao STF quem primeiro provar que sabe fazer o Congresso assumir a liderança do combate ao golpismo. Isso mesmo, esse Congresso aí que passou revisão de dosimetria. Boa sorte, filho.
QUARTO:- Só pode criticar a esquerda por privilegiar pautas “identitárias” quem assinar um manifesto defendendo reforma agrária com conversão do agronegócio em kibutzim autogeridos pelos trabalhadores, negociação salarial coletiva como existe na Escandinávia, redução drástica da jornada de trabalho e alíquota mínima de imposto de renda de 40% para as rendas muito altas.
Se você não sabe resolver o problema do poder de barganha da classe trabalhadora no mercado globalizado, não encha o saco sobre identitarismo. O ideal seria você não encher o saco por isso nunca, mas, como se pode ver, minhas regras são altamente tolerantes e centristas.
QUINTO:- Todo mundo tem que falar sobre o estado das contas públicas.
SEXTO:- Quando alguém falar sobre ajuste fiscal, não pode mentir que a solução é eliminar ineficiências, acabar com a corrupção ou taxar os ricos.
Sou a favor disso tudo, mas, mesmo se implementássemos o pacote inteiro ao mesmo tempo e em grau absoluto (o que é impossível), a conta ainda não fecharia.
É preciso dizer, com todas as letras, que gastos com coisas populares você diminuiria ou que benefício para setores politicamente poderosos no Congresso você eliminaria.
Sétimo:- Se não for para cumprir a cláusula sexta, por favor não cumpra a cláusula quinta.
Enfim, não tenho como obrigar ninguém a cumprir minhas regras, por mais que elas me pareçam elementares deduções do bom senso. Mas aconselho você a não dar ouvidos a ninguém que não as respeite na campanha deste ano. (Celso Rocha de Barros, É servidor federal, doutor em sociologia pela Universidade de Oxford e autor de “PT Uma História”.
Este artigo não representa necessariamente a mesma opinião do blog. Se não concorda faça um rebatendo que publicaremos como uma segunda opinião sobre o tema.👨🏼‍💻✍🏻.COMPARTILHE. 

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